Onde Moram as Suas Mágicas? Organizando seu Repertório (Parte 1)

Escrito por: Andy (The Jerx)

Tradução e Adaptação: Felipe Barbieri, Loja de Mágica

(Publicado originalmente em http://thejerx.com )

 

Recentemente, escrevi sobre os passos para construir um repertório. Esses passos são bem diretos, mas um conceito que eu queria introduzir é que cada mágica no seu repertório deve ter uma "casa".

 

Cada efeito deve ser guardado em um lugar onde possa ser ativado de forma praticamente invisível.

 

Pense nisso como um proprietário de arma irresponsável que deixa uma arma carregada na gaveta da mesa de cabeceira. Se um intruso entra, ele só abre a gaveta e descarrega. Sim, a posse responsável de armas envolve mantê-la em um cofre trancado no alto do armário do quarto para que seu filho não se machuque. Isso é ótimo, desde que os invasores te avisem com cinco minutos de antecedência que estão chegando. Eu entendo, é o que se faz por segurança.

 

Mas na mágica, não precisamos nos preocupar com segurança.

 

Se as suas mágicas não estiverem "preparadas" em algum lugar, prontas para serem executadas, você sempre acabará apresentando de forma estranha: pedindo licença para ir buscar algo em outro cômodo para poder mostrar um truque. Não há aquela sensação de fluidez natural se todas as suas mágicas começam com você vasculhando uma gaveta de acessórios na sala de estar.

 

Aqui estão algumas "casas" que você pode considerar para povoar com suas mágicas:

 

Mágicas sem Gimmicks (Objetos Comuns)

 

Mágicas sem acessórios especiais tendem a "viver" dentro do próprio objeto usado. Um baralho comum é a casa de umas 30 ou 40 mágicas no meu repertório. Um monte de moedas é a casa de alguns efeitos. Elásticos e anéis também abrigam alguns truques para mim.

 

A única consideração aqui é se esses objetos são coisas que você encontra o suficiente no seu dia a dia. Se não for o caso, você deve se perguntar se a mágica é boa o suficiente para você carregar esses itens sempre com você. Por exemplo: quando eu trabalhava em um escritório, sabia truques com grampeadores. Era natural. Hoje não encontro grampeadores no meu dia a dia, então essas mágicas saíram do meu repertório.

 

Displays (Exposições)

 

Tenho duas prateleiras em casa usadas para fins mágicos. Uma é uma pequena coleção de baralhos "interessantes". A outra é uma prateleira com objetos incomuns (como o Three Skulls on a Spike do Andy Nyman).

 

Às vezes as pessoas perguntam o que é aquilo. Outras vezes eu mesmo "noto" o objeto e digo: "Ah é, eu queria testar uma coisa com você usando isso". Como a mágica tem um lugar onde ela mora, eu consigo fluir para o efeito de forma natural, sem precisar buscar nada em outro quarto.

 

Estante de Livros

 

Tenho alguns book tests (testes de livro) que usam livros preparados. Eles moram na estante junto com meus livros comuns.

 

Carteira

 

Mantenho algumas mágicas (no máximo três) na minha carteira. É a casa perfeita para cartões de visita, mentalismo ou mágicas com notas de dinheiro.

 

Chaveiro

 

Seu chaveiro pode abrigar alguns efeitos. Mas cuidado: se usar demais, você vira "o cara que faz truques com chaves". Em vez de pensarem que você faz coisas impossíveis com o que está ao redor, vão pensar: "Ah, devem vender chaves de truque por aí". O lado bom é que ninguém suspeita de chaves até você exagerar.

 

O Cérebro

 

Certamente, todo o meu repertório está no meu cérebro. Mas, especificamente, o cérebro é onde mora o meu repertório propless (mágicas sem acessórios, apenas verbais ou psicológicas).

 

O Celular

 

Sempre há uma parte do meu repertório que vive no meu telefone. Tento não exagerar. É fácil transformar tudo em mágica de celular hoje em dia, mas eu quero que o aparelho pareça apenas um acessório secundário, e não a fonte de toda a mágica.

 

Porta-malas do Carro

 

Se estou perto de crianças, geralmente é em uma festa ou visitando alguém. Por isso, as poucas mágicas que faço especificamente para crianças ficam guardadas em uma pequena caixa no porta-malas do carro. Assim, elas estão sempre lá se eu precisar. Se percebo que o ambiente pede, eu busco algo específico antes de entrar ou durante uma saída estratégica.

 

A ideia não é que você precise usar as mesmas "casas" que eu. A ideia é que, ao pensar em onde seus efeitos estão posicionados, você estará muito mais pronto para apresentá-los quando a hora chegar. Isso te torna um performer muito mais flexível e dinâmico do que alguém que guarda todas as suas mágicas em uma caixa no fundo do armário.

 

Créditos e Referências

 

Este conteúdo foi originalmente publicado no blog The Jerx, referência mundial em teoria mágica.

 

Autor: Andy

 

Post Original: Housing My Repertoire: Part One