Juan Tamariz e a Revolução da Mágica Espanhola

 Se a gente for parar para falar de cartomagia hoje, é impossível não começar pelo Juan Tamariz. Para muitos — e eu me incluo totalmente nessa — ele é o maior cartomago vivo. Sabe aquele senhor espanhol com o cabelo todo bagunçado, uma cartola torta e que parece estar em um estado de caos constante? Pois é, não se deixe enganar pela "bagunça". Ali por trás existe uma das mentes mais brilhantes, matemáticas e profundas que a nossa arte já viu.

O Tamariz é o sucessor intelectual de gigantes como Arturo de Ascanio e Dai Vernon. A grande virada na carreira dele foi em 1973, quando ganhou o Grand Prix do FISM apresentando algo que o mundo não estava acostumado: uma técnica absolutamente impecável, mas disfarçada de pura galhofa e entretenimento. É o que ele chama de "arco-íris mágico".



Mas o ponto principal aqui, e o que eu quero que vocês entendam, é que para o mestre Tamariz, a mágica não acontece nas mãos; ela é uma experiência que floresce na mente e no coração do espectador.

 Foi com essa mentalidade que ele ajudou a fundar, em 1971, a Escola Mágica de Madri (EMM). Esqueça aquela ideia de uma escola com salas e lousa; a EMM é um círculo intelectual, um movimento que decidiu elevar a mágica ao status de disciplina acadêmica e artística. Ao lado do mestre Ascanio, eles pararam de focar no "como o truque é feito" para focar no "porquê". Eles dissecaram a psicologia do espectador e criaram uma base teórica que hoje é o alicerce da mágica moderna.

 

E por que estamos falando dele agora? Porque se você quer sair do nível de "quem faz truques" para o nível de "quem cria milagres", você precisa entender o sistema dele. O Tamariz não é apenas um mágico extraordinário; ele é o arquiteto de uma estrutura que desmonta a lógica de qualquer pessoa.

 

No próximo texto, eu vou mergulhar com vocês na parte mais profunda dessa filosofia: as obras, as técnicas de controle de atenção e, principalmente, o que ele chama de Os Sete Véus do Mistério.